Quando
os colonos alemães aqui chegaram já existia
no território, hoje município de Domingos Martins,
um trecho da Estrada de tropa que ligava a Vila Rica, Minas
Gerais ao Porto de Vitória. Foi a primeira estrada
em terras capixabas e era governador da capitania Francisco
Alberto Rubim. Esta estrada data de 1816 conforme dispunha
a carta-régia de 4 de dezembro daquele ano. Após
a independência passou a denominar-se Estrada de São
Pedro de Alcântara em homenagem ao 1º Imperador.
Ainda estabelecia a carta régia que fossem criados
quartéis à margem da estrada com o objetivo
de dar segurança aos transeuntes contra animais ferozes
e até mesmo os índios Botocudos que por aqui
viviam. Os quartéis receberam nome de cidades existentes
em Portugal e esta a razão do Distrito de Melgaço
e a localidade de Barcelos no distrito de Aracê. Em
Domingos Martins a estrada passava, no sentido oeste-leste,
por Barcelos, Tijuco Preto, Pena, Melgaço, Chapéu,
seguindo deste local um ramal que passava por Califórnia
até o Porto de Cachoeiro de Santa Leopoldina. A partir
de Chapéu também existiu um outro ramal passando
por Pedra Branca, São Miguel, Galo, Biriricas até
Borba, em Viana, e então o Porto Velho de Vitória.
Borba, era o nome de um dos alferes que comandou este quartel
e que foi o primeiro a policiar a referida estrada. Também
a partir de Chapéu existiu um ramal que chegava até
Campinho e Santa Isabel seguindo até Biriricas em Viana.
D. Pedro II, em suas anotações sobre a visita
à colônia de Santa Isabel, quando chegou na casa
do diretor da colônia, em Campinho, mencionou o referido
ramal que dava passagem ao Morro do Chapéu no Braço
Norte do Jucu. Teve intenção de ir até
Chapéu, mas foi impedido por não estar bem do
estômago. (Ver o parágrago 13, pág. 6
do livro de Levy Rocha - Viagem de Pedro II ao Espírito
Santo) Ainda hoje existe em Melgacinho na propriedade do Sr.
Adolfo Kumm e em Pedra Branca na propriedade de Darly Espíndula
vestígios da Estrada de São Pedro de Alcântara,
onde muito ouro desceu até o Porto Velho de Vitória
e mercadorias valiosíssimas como móveis, relógios
etc., fabricados na Europa chegaram até grandes fazendeiros
em Minas Gerais e alguns colonos no Espírito Santo.
Quando os pomeranos se estabeleceram na região era
conhecida por eles como MINASSTROT. Na propriedade de herdeiros
do Sr. Eugênio Santana existe uma pequena cascata à
margem da rodovia Campinho/ Melgaço que de acordo com
escrituras antigas chamava-se Cascata de São Pedro
de Alcântara.
PARAJU - Abundância de paraju nas florestas do referido
distrito que anteriormente chamava-se Sapucaia. A nova denominação
deu-se através do Decreto-Lei Estadual nº 15.177
de 31 de dezembro de 1943.
Marechal Floriano e Araguaia - eram distritos de Domingos
Martins, mas foram desmembrados através da Lei nº
4571 de 31/11/1991 e constituíram o município
de Marechal Floriano.
A lei nº 3.219 de 21 de junho de 1978, cujo projeto
foi de autoria do Deputado Estadual Juarez Martins Leite,
autoriza a transferência simbólica do Governo
Estadual para a Cidade de Domingos Martins, no dia 12 de
junho de cada ano, onde se presta homenagem póstuma
ao Herói Capixaba Domingos José Martins. Há
de se observar que nesta data não é celebrado
o dia do município que se comemora em 20 de outubro,
dia da emancipação política.
Bibliografia:
A Colonização Alemã no Espírito
Santo - Ernst Wageman - 1915/ Tradução de
Reginaldo Sant'Ana - 1949
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
Arquivo da Paróquia da Igreja Evangélica de
Confissão Luterana em Domingos Martins
Curiosidades da História Espiritossantense - José
Schiavo
História do Município de Viana - Heribaldo
Lopes Balestrero - 1951
Instituto Martius - Staden - São Paulo
Quando soarem os sinos - Valdemar Gaede
Viagem ao Espírito Santo e Rio Doce - Auguste de
Sain-Hilaire - 1974
Viagem de Pedro II ao Espírito Santo - Levy Rocha
- 1960
Viagem pela Província do Espírito Santo -
Johann Jakob Von Tschudi - 1860
Pesquisador: Joel Guilherme Velten
Colaboradoras: Dulcinéa Effgen Pimentel e Marlí
Lemke
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